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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Capítulo 7 / 2ª parte



— Esquece, já te falei que a Mariana tem uma quedinha pelo Neitan. Não vai furar o olho dela, né?

— Ai credo Lavígnia! Ter uma quedinha por um cara não é estar casada com ele.

— Tudo bem, faça o que quiser. - dei de ombros e ela se inclinou um pouquinho na mesa, seus enormes olhos castanhos – única coisa que tínhamos idênticos – estavam muito bem maquiados.

— E ele é gato mesmo?

— Sim – confirmei lembrando daqueles olhos verde-esmeralda de Neit – muito gato mesmo.

— Uau! Quero conhecer.

— Ah você vai, pode ter certeza. - assegurei.

— Já liguei lá pro Cilho... será que a Mari vai demorar muito pra chegar aqui? 

— Ela me ligou e disse que estava na estrada há uns quinze minutos.

— Ah... então vai demorar. - ela afundou na cadeira – Estou com muita vontade de cavalgar.

— É melhor ter um pouco mais de paciência – olhei para o relógio na parede – ela vai chegar aqui lá pelas dez.

— Hum... que coisa. Então até ela chegar que tal darmos uma voltinha por aí depois do café? Estou com saudades da floresta... lembra quando você se perdeu correndo atrás de borboletas?

“ Oh se lembro! ”

— E tem como esquecer? Quase morri de medo. - respondi lembrando do meu amor proibido e lindo, que eu já morria de saudade.

— Até hoje não entendo como você voltou sozinha.

— Não devo ter ido muito longe... quando se tem cinco anos as distâncias parecem bem maiores. - despistei, ainda lembrava do pedido de Damian.

— É mesmo... e então, vamos? - ela pulou da cadeira – quero explorar.

— Tudo bem.

Concordei saindo da mesa. Era até bem conveniente, talvez entrando na floresta pudesse ter a direção que queria. No fundo, eu achava muito estranho que minha irmã estivesse ali, bem como era estranho o fato pelo qual eu estava ali. Os sonhos, os pesadelos, as visões. Eu estava ansiosa para saber qual era o sentido de tudo aquilo, onde as coisas se encaixariam. O que minha família sabia que não me contou? Eu tinha certeza absoluta de que George havia sido reticente naquela nossa conversa e também sabia que Damian, não havia sido totalmente verdadeiro comigo em nossas conversas.

— Olha Lavígnia – minha irmã chamou quando estávamos uns três metros floresta adentro – lembra que tentávamos escalar aquela árvore? - ela apontou a árvore responsável por vários tombos em nossa infância. 

— Lembro sim... - falei quando meu celular tocou, puxei para atender e vi que era o número de George. - alô?

— Quer me explicar que idiotice você fez? - exigiu sua voz áspera do outro lado da linha e eu revirei os olhos.

— Bom dia para você também! - fui irônica.

— Não venha de conversinhas comigo Lavígnia Durani! Por que pediu demissão e foi embora da cidade? Onde você está? - ele continuou com sua cena e eu suspirei, vendo Ágatha se embrenhar no meio das árvores. 

— George, sou maior de idade e faço o que quiser da minha vida! Estou cansada de seguir suas ordens e fazer o que quer, vou ter minhas respostas mesmo que você ou o Conselho não me contem. - retruquei com a voz um pouco mais baixa, embora Ágatha estivesse fora de visão.

— Mas o que diabos você está fazendo menina? De que respostas está falando?

— Sei que tem algo que vocês me escondem vô, não sei o que é mas sei que posso descobrir aqui onde estou.

— Onde está? - ele repetiu – Ah... Bom Jesus! Só pode estar aí, não é?

— Exatamente isso. Como sabia? - exigi podendo sentir o choque através do seu silêncio.

— Isso não tem importância, você deve voltar imediatamente para casa, entendeu Lavígnia? Imediatamente!

— Parece meio desesperado vô – fui meio sádica – tem medo que eu esteja aqui? Por quê? - outra vez pude sentir sua tensão.

— Ora não diga besteiras filha, você sabe de tudo que se tem para saber sobre os vampiros e sobre o trato que temos com eles.

— Mas e os Caçadores? - disparei minha pergunta como um tiro.

2 comentários:

  1. ahhhhhhh posta posta posta....perfeito!!!

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    1. Obrigada Scar ^.^ Estou meio enrolada com a reforma aqui do blog mas prometo que essa semana tem mais da história.

      Beijão :*

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