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sábado, 31 de agosto de 2013

Capítulo 7 - início


      7. Nas sombras 

     Acordei com a luz do sol entrando pelas finas cortinas brancas. Tinha mais claridade em meu mais novo quarto do que no meu oficial, o que me acordou cedo. Fiquei alguns minutos olhando para o teto, tentando me acostumar com o novo ambiente. Empurrei o edredom cor de rosa, e levantei para ir abrir a janela. Afastei as cortinas e vi os primeiros raios de sol surgindo por cima da copa das árvores. Respirei fundo aquele ar diferente, puro e com cheiro de terra e folhas.

Depois de alguns minutos de contemplação matinal, resolvi ir lavar o rosto, escovar os dentes e tudo mais. Quando já estava na porta, vi que tinha esquecido minha toalha de rosto. Ela estava no encosto da cadeira do computador. Caminhei pelo quarto em direção à cadeira, estendi minha mão para pegá-la, mas meu celular tocou em cima do criado mudo, me fazendo parar a uns quinze centímetros da toalha. Me virei para olhá-lo, foi apenas um segundo e então outra coisa estranha ocorreu.


Senti algo seco e macio entre meus dedos e tirei meus olhos do celular que tocava, para descobrir a toalha em minha mão. Isso sem eu ter me movido nem um milímetro para pegá-la. Olhei confusa e assustada para a toalha verde que segurava sem realmente tê-la pegado. A insistência do celular tocando me tirou do transe daquele momento esquisito, então corri para pegá-lo. Joguei a toalha na cama como se ela fosse me morder e atendi o telefone.

— Alô?

— Oi, sou eu. - disse a voz que eu não reconheci por estar distraída olhando para a toalha assombrada.

— Quem?

— A Dilma Rouseff! Como assim que é, Lavígnia? Um dia fora de casa e você já esqueceu minha voz? - cobrou Mariana.

— Ah... desculpa é que eu estava distraída.

— Hum... - houve um pequeno silêncio – então, já que Ágatha também está aí, pensei em ir passar o fim de semana aí com vocês. - ela anunciou sem o entusiasmo de sempre, o que não me passou despercebido.

— Sério? Isso é perfeito.

— É... faz tempo que não nos juntamos e aprontamos, né? Essa é a ocasião.

— Verdade... há que horas você vem? - indaguei ainda olhando para a toalha sobre a cama, mas sem deixar de estranhar o fato de Mariana estar indo para Bom Jesus também.

— Já estou na estrada... cometendo uma infração de trânsito inclusive. Vou desligar o celular agora, nos vemos logo mais.

— Certo... até lá. - concordei colocando o celular de volta onde estava.

— Bom dia! - exclamou minha irmã entrando no quarto, sem bater na porta como sempre – Tive uma ótima ideia maninha. - anunciou ela toda feliz.

— Hum? - indaguei distraída e ela revirou os olhos, impaciente.

— Eu disse que tive uma ótima ideia! Helooooooo, terra chamando, em que lugar do universo você se encontra Lavígnia Durani?

— Aqui mesmo, que ideia fabulosa é essa? - perguntei sem um pingo de entusiasmo ao pegar a tal toalhinha.

— Vamos ao Cilho passear de cavalo, ver as cachoeiras e tudo mais! Perfeito né?

— O quê? - parei a meio caminho da porta e a encarei.

— Ai... você e seu ânimo de sempre! Lavígnia, hoje é sábado e estamos mais ou menos de férias. Entendeu? Isso significa... - ela parou e pôs um dedo sobre os lábios – diversão, descanso e muito sorvete. Sendo assim, vamos sair hoje e nos divertir.

— Ah... pode ser. - deixei no ar e fui para o banheiro.

— Pode ser nada! Vamos lá na fazenda e ponto final. Esteja pronta logo porque você vai dirigir. Estou esperando lá embaixo.

Ouvi Ágatha ordenar enquanto – por sua voz se afastando – descia as escadas. Olhei para o espelho e dei um meio sorriso. Minha irmã tinha mais ânimo que Mariana e iria ser bem difícil escapar das coisas que ela iria planejar, pois certamente me incluiriam. Depois do ritual matinal – quase de sempre, pois estava em outra casa – voltei para o quarto. Vesti um short jeans e uma babylook lilás, amarrei meus cabelos num rabo de cavalo bem alto na cabeça e peguei meus óculos de sol.

Ficar parada dentro do quarto não me ajudaria muito, eu deveria sair e procurar eu sei lá o quê. Quando cheguei na cozinha, encontrei minha irmã com um visual parecido com o meu. Só que seu short jeans era preto e usava uma regata branca com um decote redondo. Ela ainda usava suas botas e chapéu cor de rosa ao estilo cowgirl. Lembranças de nossa viagem a Barretos uns quatro anos atrás.

— Não sabia que iriamos a um rodeio. - caçoei indo me servir de café com leite.

— E não vamos, pelo menos hoje não tem nenhum marcado. Estou no estilo do lugar que vamos, ué! Você é a patricinha da família, devia saber disso. - devolveu ela me alfinetando também.

— Que seja... estou tentando ser mais descolada. - informei-a enquanto me sentava – cadê os avós?

— Encontrei um bilhetinho da vó na geladeira, ela foi num encontro da terceira idade com o vô no centro. Eles dançam, fazem exercícios, jogam xadrez sei lá o que fazem. O fato é que só vão aparecer por aqui depois do almoço.

— Hum... ah olha só, a Mariana ligou e disse que está vindo passar o final de semana aqui. - anunciei mordendo uma torrada.

— Capaz?! - ela arregalou os olhos – Ai isso é demais, nós três juntas de novo. Vamos abalar Bom Jesus maninha!

— Você que pensa... garanto que ela só vai querer saber de ficar lá com os amigos. - Afirmei com um muxoxo.

— Hã? Aquele bonitão?

— É.

— Que seja então, preciso ver uns gatos pra ir pondo na minha lista de futuros ex-namorados. - planejou minha irmã assanhada.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Oi Bella! Obrigada pela presença aqui no blog =) Logo tem mais post.
      Beijão

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